dom la nena em londres
música que embala a alma

uma passagem de som gravada em vídeo e na memória

O lado bom de surpreender-se é que faz a gente sentir mais vivo. Faz a gente perceber que, por mais que tenha vivido, ainda não viu tudo. E ainda serve como uma lição de humildade. Faz a gente ver o quanto a ignorância ocupa um espaço infinito a ser preenchido com o conhecimento. Foi o que aconteceu comigo quando me deparei com os vídeos de Dom La Nena, no canal dela no Youtube. Por outro lado, a alegria de que havia no horizonte a oportunidade de encontrar Dom La Nena em Londres.

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Quem me conhece de perto, sabe que não estou praticando a modéstia quando digo que eu estou longe de ser um especialista em música. Curto, óbvio, mas não tenho grandes conhecimentos, não sei quais são as tendências musicais do momento. Parte do meu tempo livre é passado mais em torno de um bom livro de poesia do que de um bom CD. Quando estou lendo, prefiro o silêncio. Por isso mesmo, quando uma música me faz parar, é porque realmente me disse algo de novo, me tocou, me fez refletir, me emocionou. Foi o que aconteceu quando fui gravar a entrevista com Dom La Nena.

Em princípio, o que eu havia combinado com a agente dela em Londres, foi de que eu chegaria na histórica St Pancras Old Church, onde ela faria uma apresentação como parte da turnê de lançamento do segundo CD dela, SOYO, gravaria a entrevista e voltaria mais tarde para registrar imagens do show. Cheguei no horário combinado, entrei, e Dom La Nena estava, junto com o engenheiro de som, envolvida no ritual da passagem de som. Sentei-me na última fila de cadeiras.

Aos poucos, eu me senti como tivesse sendo levado para um estado que deve ser próximo ao que se chama de nirvana. Como seu eu estivesse sendo embalado por aquela música mágica que saia da voz e dos instrumentos em volta dela. Só me despertava quando ela tinha que parar e trocar impressões com o engenheiro de som. Pouco depois, veio um presente inesperado.

Ao descobrir que eu era a pessoa que estava ali para entrevistá-la, ela me disse que poderia cantar 3 músicas para que eu gravasse. Procurei esconder a alegria e tenho certeza que ela nunca imaginou o quanto aquela oferenda, esse é o termo mesmo, significaria para mim. Combinamos, testei o audio da câmera e, por sugestão dela, pedimos para que as portas fossem fechadas. Ficamos eu, ela e o engenheiro de som.

Descrever os momentos seguintes não cabem em palavras, mas o vídeo acima é uma forma de compartilhar com você um momento mágico, sagrado. Um desses momentos em que você sabe que está diante de algo muito especial, único. Uma artista cuja definição não cabe em rótulos e que não se prende entre fronteiras geográficas ou imaginárias. É isso que Dom La Nena é: única.

Terminada a passagem de som, procuramos um lugar onde a entrevista pudesse ser realizada. Eu tinha duas curiosidades básicas: saber de onde vem o Dom La Nena e confirmar a impressão de que estava diante de uma artista que tem a solidão como aliada, companheira, do seu processo criativo. Esse foi o eixo da nossa conversa. As respostas estão no vídeo acima. A gente também decidiu homenageá-la com algumas belas imagens de Londres. Talvez na tentativa de deixá-la um pouco mais perto da cidade, embora Paris, onde ela viva fique tão próxima, geograficamente. A mim, resta dizer, de coração: obrigado, Dominique.

 

Silvino Ferreira Jr - Editor do Canal Londres

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