família de jean charles
ainda luta por justiça

Nesta quarta-feira, 22 de Julho, a família do brasileiro Jean Charles de Menezes relembra os 10 anos de morte do ente assassinado pela polícia britânica no metrô de Londres. Depois de virar uma pedra no sapato da polícia inglesa e chegar às telas do cinema mundial, a história ainda gera discussão e julgamentos. O brasileiro inocente levou sete tiros na estação Stockwell ao ser confundido com um terrorista.

jean charles

Homenagem ao brasileiro Jean Charles de Menezes (1995-2015) pela Wikimedia

A família do mineiro da cidade de Gonzaga, que vivia e trabalhava como eletricista em Londres desde 2002, até ser morto aos 27 anos, continua na luta para que os policiais envolvidos sejam punidos.

O diretor de cinema brasileiro Henrique Goldman morava em Londres já naquele mês de julho de 2005 e presenciou a comoção que a morte de Jean Charles causou na comunidade brasileira e na população local. Quatro anos depois, Goldman levou a história às telonas em “Jean Charles”, em que Selton Mello interpreta o protagonista.

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Entrevista com Henrique Goldman, diretor do filme sobre Jean Charles

Pré-conceito  
De acordo com entrevista dada ao UOL, o diretor afirma que a premissa do filme sempre foi tirar o foco da investigação sobre os erros da polícia e mostrar uma atmosfera alegre, que “afirmasse a vida, não a morte”. “Queria contar o lado ambicioso e divertido dele, suas particularidades. Mesmo sendo uma ficção, que tivesse o retrato dele e também dessa ‘diáspora’ brasileira, de motoboys e ‘peões’ que trabalhavam por aqui”, conta.

“Ao contrário do que muita gente pensa – e esse pensamento é muito atual, como se vê no caso dos haitianos chegando ao Brasil – o imigrante não é um vagabundo. Ele migra para trabalhar e ganhar dinheiro, fazer parte de uma sociedade e se inserir nela, e não ser um marginal. Isso valia para a comunidade brasileira em Londres, de gente jovem, trabalhadora. O filme é sobre isso, sobre ‘outsiders’ [forasteiro, em tradução aproximada]. O Jean era um outsider.”

Justiça

A família do brasileiro afirmou que o Ministério Público Britânico (CPS) negou direitos à família ao determinar, ainda em 2006, que a investigação não resultaria em processos criminais contra a Scotland Yard nem contra os agentes envolvidos. O inquérito público que investigou as circunstâncias concluiu que a Scotland Yard não poderia ser responsabilizada criminalmente pelo incidente.

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Civis relembram a trágica morte de Jean Charles do lado de fora da estação de Stockwell, onde o brasileiro foi morto, em Londres

“Por dez anos, nossa família tem lutado por justiça porque acreditamos que os policiais deveriam responder pela morte de Jean Charles”, disse Patrícia Armani, prima do eletricista e um dos parentes que viviam em Londres na época.

O inquérito público que investigou as circunstâncias concluiu que a Scotland Yard não poderia ser responsabilizada criminalmente pelo incidente. O argumento da polícia e das autoridades britânicas era de que a morte de Jean Charles ocorreu em um momento de caos na cidade: duas semanas antes, 52 pessoas haviam morrido e mais de 700 tinham ficado feridas em atentados a bomba no metrô e em um ônibus da capital.

Na quarta-feira, 10 de junho deste ano, houve uma audiência preliminar na Corte Europeia de Direitos Humanos em que a família contestou a decisão da Justiça britânica de não processar membros da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) por sua morte, há dez anos.

*Lívia Rangel é jornalista cultural. Editora-fundadora da revista eletrônica www.ElevenCulture.com, publica, às terças e sextas-feiras, aqui no Acontece. E-mail: lira.comunicacao@gmail.com

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