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Jorge Bodanzky construiu a sua carreira de fotógrafo e diretor de cinema em torno da Amazônia, sua grande paixão.

E foi justamente por conta do envolvimento de Bodanzky com os problemas e ameaças enfrentados pela maior floresta do planeta e os povos indígenas, seus primeiros habitantes, que ele foi convidado para participar de um debate sobre o futuro da Amazônia, na Universidade de Oxford. Entre outros convidados, estavam os dois maiores líderes dos povos indígenas do Brasil: o Cacique Raoni e Davi Kopenawa.

Jorge Bodanzky e Natália Pinazza

Jorge Bodanzky e Natália Pinazza

Jorge Bodanzky e duas tragédias anunciadas.

Ao saber da presença de Jorge Bodanzky em solo inglês, Dra Natália Pinazza, professora de Estudos Culturais Latino-Americanos e Lusófonos na Universidade de Exeter, o convidou para apresentar o seu clássico ‘Iracema, Uma Transa Amazônica’, realizado em 1974, e o novo documentário que ele está produzindo: ‘Amazônia, uma nova Minamata?’. A gente registrou esse encontro, no vídeo acima, mas também entrevistou Jorge Bodanzky.

Alunos da Universidade de Exeter

Q&A com Jorge Bodanzky na Universidade de Exeter

A nossa conversa com ele girou em torno de 3 eixos: um pouco da sua carreira profissional, o filme Iracema e o novo documentário. Do ponto de vista profissional, ele, depois de estudar na Universidade de Brasília e na Alemanha, começou a trabalhar como câmera de correspondentes internacionais, no Brasil.

Iracema, uma Transa Amazônica

Frame de Iracema, Uma Transa Amazônica

Foi trabalhando como câmera que surgiu a ideia de ‘Iracema, Uma Transa Amazônica. Parado em um posto de gasolina, ele viu como acontecia o processo de prostituição de meninas indígenas, atraídas por caminhoneiros, na beira da estrada. A ideia é uma releitura, sem nenhuma romantização, do clássico ‘Iracema’, de José de Alencar, mas foi neste documentário que o mundo viu pela primeira vez imagens da floresta sendo queimada.

jorge bodanzky

Frame de Iracema, Uma Transa Amazônica

Já o documentário ‘Amazônia, uma nova Minamata?’ é um trabalho que começou a nascer de um encontro com um médico que estuda a contaminação dos rios da Amazônia com o mercúrio usado na mineração de ouro. Baseado no ‘Desastre de Minamata’, que aconteceu no Japão há mais de 40 anos. Em 1956, 4 pacientes internados em hospital, apresentaram problemas neurológicos cuja origem estava na contaminação pelo mercúrio, usado por uma fábrica de fertilizantes.

Amazônia, uma nova minamata

Frame do documentário ‘Amazônia, uma nova Minamata?’

Depois de ver o nosso vídeo acima, você vai chegar a uma triste conclusão: todos os problemas que foram denunciados em ‘Iracema, Uma Transa Amazônica’, frutos de uma política de exploração idealizada pelo regime militar, continuam lá. E, o mais grave, o novo documentário de Jorge Bodanzky mostra que, na verdade,  entre os 40 anos que separam as duas produções, a ação do homem na Amazônia vem adicionando novos problemas aos que já existiam. Uma triste realidade que Bodanzky assumiu a missão de denunciar.

 

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Gilberto Pinto da Motta
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Jorge é um guerreiro genial e resistente. Tive a dádiva de participar (como aluno iniciante) de uma Oficina de Documentários ministrada por ele, em 1986, em Florianópolis/SC. Nossa equipe (Acaresc Vídeo, núcleo de produção de documentários e programas de TV da Acaresc/Extensão Rural, depois Epagri). Inesquecível contato e aprendizado. Gratíssimo, Jorge. (Gilberto Motta, jornalista, docente e pesquisador)

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